Violência policial em bairro de betos
Restelo, 18h. Santiago sai do externato “As Descobertas” e à sua frente as suas duas colegas de turma, Loti e Nonô, trocam insultos.
Santiago aproxima-se. “Mandaste um Instadirect ao Duarte, quando sabes que nós estivemos juntos na festa do Valssassina. És uma falsa!”, diz Loti.
“Cala-te, suja! Tu disseste que deram só um bate-chapas e que ele disse que não estava interessado em ninguém”, responde Nonô. “Eu já ia com a família dele para a Serra Nevada! Estragaste tudo!”, Loti dá um estalo a Nonô.
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“Vou chamar os meus amigos do CDUL”, diz Nonô. Envia uma mensagem de voz para o grupo “Filhos dos Que Mandam Nesta Merda Toda” no Whatsapp e passado vinte minutos, treze jovens praticantes de rugby, de 15 anos com corpo de 24, alinham-se à frente do exclusivo externato.
A tensão sente-se no ar. Intimidada, Loti liga aos seus amigos da Orquestra Metropolitana, que, não sendo tão corpulentos, podem ainda assim defendê-la através do arremesso de oboés e harpas. Passa um quarto de hora e 30 jovens, divididos entre gangues betos rivais, encaram-se de forma ameaçadora.
Teme-se o pior.
Manuel Cardoso @ 24.sapo.pt