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Obaldoui

Onde se fabrica o pensamento

Obaldoui

11
Nov18

Quando for grande quero ser...

Li o post da Mami sobre a brincadeira estar formatada e categorizada de forma sexista no subconsciente dos educadores.

Na minha infância - vivi-a entre os anos 70 e 80 - adorava brinquedos como qualquer criança, mas recebia sempre os mesmos pelo Natal e pelo aniversário: bonecas, bebés e mini electrodomésticos.

Nunca recebi um puzzle ou um jogo de tabuleiro e quando recebi uma bicicleta, recusei a cor-de-rosa e quis uma BMX vermelha e amarela.

Nunca gostei de brincar com os bebés, fingir que lhes mudava a fralda e levá-los a passear no carrinho de plástico. Nunca compreendi porque me ofereciam mini electrodomésticos e vassouras em ponto pequeno com os quais nunca brinquei e acabaram abandonados numa caixa empoeirada.

A única boneca com a qual brincava era com a Barbie. Na altura nunca me pareceu fútil, mas uma boneca independente que tinha o seu próprio carro e casa. E o Ken sempre me pareceu um namorado muito pouco interessado, aliás sempre achei que ele era gay e gostava mais de bonecos.

Nas minhas brincadeiras dei outra vida à Barbie.

Não só tinha vestidos giros e gostava de se arranjar, mas tornei-a fashion designer. Começou a desenhar roupas e a criá-las. Tenho dezenas de roupas em miniatura feitas por mim que um dia a Barbie iria vender em lojas de marca própria.

As minhas brincadeiras nunca mantinham a boneca no ambiente doméstico, para profundo desgosto da minha mãe, que não compreendia o porquê de não me interessar pela casa. Ainda hoje não compreende este meu desinteresse.

E aos seis anos, quando aprendi a ler, a leitura tornou-se a brincadeira mais divertida que alguma vez tinha brincado.

Nenhum brinquedo alguma vez fora capaz de despertar tanto a minha imaginação como um livro.

Sempre que me perguntavam o que queria ser quando era grande respondi, até aos seis anos, que queria ser costureira solteira, porque associava ao facto de se estar casada a obrigatoriedade de ficar em casa, ser doméstica e ter pouca autonomia, algo que nunca quis para a minha vida.

Depois dos seis anos, comecei a dar uma resposta diferente: quando for grande quero ser uma mulher independente.

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