O que esperamos deste Estado
Há fogos e mortos, a ala pediátrica do São João envergonha-nos, há Tancos, os comboios estão parados mas o estado não sabe de nada como muito bem diz o nosso primeiro ministro, assoberbado como anda a explicar à mole imensa a felicidade que distribui pelo povo.
"Uma coisa é haver uma circunstância em que tudo correu mal e houve uma tragédia, o que acontece em qualquer parte do mundo e em qualquer organização.
Outra coisa é o que hoje sabemos que acontece em Portugal: mesmo quando as coisas correm como seria de esperar, nada nos livra do risco de uma tragédia, porque o que esperamos deste Estado é que se concentre nas festas do concelho, que seja accionista de uma companhia aérea, dono de uma televisão, promova feiras tecnológicas e, mesmo dizendo que não, no fundo estamos dispostos a aceitar que as sarjetas não funcionem, que os equipamentos hospitalares não tenham manutenção, que a GNR não tenha combustível, para que possamos brilhar numa final de um campeonato de futebol.