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Obaldoui

Onde se fabrica o pensamento

Obaldoui

23
Set18

A vida precisa da memória, vive dela

Às vezes, vem a tentação de pesar os tempos, de tentar perceber quais as suas crenças mais notórias.

É uma maneira de procurar dar forma ao informe, ao sentimento vago que o mundo à volta nos provoca. Vale o que vale. E a possibilidade da parcialidade é o menos. O risco, é claro, é acabarmos por onde começamos, isto é, pelo tal sentimento, sem adiantar nada. Mas, por razões higiénicas, vale a pena. Com sorte, alivia.

 

Comecemos pelo sentimento de irrealidade.

É difícil escapar-lhe. À superfície mediática, parece que tudo se passa numa espécie de vazio quadriculado em que cada espaçozinho deve ser preenchido por um medo novo e por uma proibição nova, em benefício do progresso da espécie. Há medos e proibições para todos os gostos e temperamentos. O passado deixou de existir, a não ser como imagem negativa do que deve ser e das conquistas do futuro.

 

Não é preciso ser conservador para sentir isto.

Basta estar consciente de que não nascemos ontem e ter alguma memória. Ver as pessoas pensarem e agirem como se assim fosse cria a sensação de se viver num mundo irreal, sem materialidade alguma. As palavras do passado e as memórias do passado são uma a uma apagadas. É isto sinal de alguma particular vitalidade do presente, da energia da vida que quer modificação? De modo nenhum. A vida precisa da memória, vive dela, particularmente da memória de como se sentia noutros tempos. De outro modo não pode ser examinada e não merece, como dizia um filósofo, ser vivida.

Paulo Tunhas in Observador

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