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Obaldoui

Onde se fabrica o pensamento

Obaldoui

30
Set18

Vícios

Tenho poucos vícios ou nenhuns, mas há dois que me ensandecem.

Blocos de notas e sapatos.

Está provado que um vício fica-nos nas entranhas para todo o sempre.

Não se cura, controla-se.

Vive-se com ele, numa espécie de sintomatologia crónica que atenuamos com persistência forte e negação anti-inflamatória.

E quando nos perdemos para um vício, tornamo-nos nele.

29
Set18

O idiota polivalente

O que vale para a religião e a ciência vale igualmente, como não poderia deixar de valer, para a sociedade.

A sociedade, para o idiota polivalente, é uma superfície lisa onde todas as diferenças não apenas são artificiais (como, em certa medida, de  facto o são), mas igualmente elimináveis da primeira à última. Dito por outras palavras, é possível aos seus olhos as sociedades viverem numa espécie de assimbolia generalizada.

 

Mais do que possível é desejável.

E, mais que desejável, tal é o resultado necessário do progresso em direcção ao Bem. Ora, é certamente verdade que uma sociedade que viva em perpétuo estado de hiper-simbolia, onde todas as diferenças sejam vistas como naturais e absolutas, é algo próximo do horror, um horror que desgraçadamente foi mais a regra do que a excepção na história da humanidade.

 

Mas não é menos verdade que nenhuma sociedade pode viver em permanente estado de assimbolia e de indiferenciação, já que o resultado imediato de tal estado, de um estado em que todas as diferenças no interior da sociedade se esbatem, é a incalculável multiplicação da violência no seu seio. Esta simples constatação é incompreensível ao idiota polivalente.

Paulo Tunhas in Observador

29
Set18

Os penduricalhos de Mapplethorpe

Discute-se muito se os penduricalhos de Mapplethorpe são arte ou censura, mas podíamos talvez discutir o estado da arte, os teatros vazios e os teatros fechados, as livrarias a abarrotarem de subprodutos, a indigência do cinema, as instituições subfinanciadas, a falência imparável dos jornais.

 

Devíamos questionar o estado da arte, se temos uma literatura exportável, se as bibliotecas renovam as colecções, se os museus estão seguros, se os artistas nacionais trabalham de borla, se o ensino artístico melhorou ou se é melhor que os talentos procurem outros países.

 

Podíamos discutir isto, mas mergulhámos numa espécie de sonambulismo, a debater os méritos da fotografia americana, tema que teria inegável interesse, se os bárbaros não estivessem já instalados deste lado da muralha.

Luís Naves in Delito de Opinião

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