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Acho que conseguia fazer um espectáculo de stand-up só com os comentários da minha mãe.
Cada pessoa tem direito às suas obsessões e eu, filho de Deus como os outros, tenho direito às minhas.
Há muito que uma das minhas maiores obsessões é o engenheiro José Sócrates. Sei que é terrível mas trata-se de uma compulsão que o meu livre-arbítrio não consegue resolver.
Tivesse-me saído na rifa a Monica Bellucci, a Isabelle Huppert, a Kathia Buniatishvili ou mesmo, vá, e isto já é o desespero a falar, a Cristina Ferreira, e adormeceria mais apaziguado antes de me ser tirada a energia vital durante a noite após a sua sucúbica passagem.
Mas não, havia-me de calhar o engenheiro, personagem com a qual, graças a Deus, nunca sonho, mas que vai não vai me invade os pensamentos ao longo dos dias.
Fosse eu um Balzac, um Stendhal, um Dostoievski, um James, um Proust, um Musil, um Thomas Harris ou uma Patricia Highsmith, e, para exorcizar o daimon que me assombra, escreveria o meu roman à clef cuja acção, para manter as distâncias, não poderia ter o seu início em Vilar de Maçada mas numa qualquer terreola inventada neste país de tantas oportunidades perdidas mas de tantas outras ganhas. Mas escritor não sou, restando-me apenas aprender a suportar o resto dos meus dias com se de um castigo divino se tratasse para expiar uma qualquer merecida ou imerecida culpa, sei lá.
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